Reportagens

Para o budismo, ao morrer, energia fica no universo

Rodolpho Valentini, da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional

Um fluxo eterno com episódios de existência. É assim que o budismo descreve a vida, que, para os adeptos desse sistema filosófico e religioso, não se encerra com o fim de cada etapa, segundo o dentista Rodolpho Valentini, budista responsável pela divisão masculina de jovens da Associação Brasil Soka Gakkai Internacional, que atua na região de Araçatuba.

“Para o budismo, não existe a figura de alma ou espírito, no sentido de vagante. Quando a pessoa morre, ela se dissipa como energia e fica no universo”, explica. Os budistas creem que, à medida em que o falecido reúne causas (ações), ele renasce nas condições determinadas por seus atos na existência anterior.

A morte faz parte daquilo que Buda Shakyamuni (como também é chamado Siddhartha Gautama, fundador do budismo), que viveu na antiguidade, chamou de quatro sofrimentos básicos. Os outros três são o nascimento, o envelhecimento e a doença. “Todas as ações, pensamentos e palavras que eu faço vão determinar de que forma eu renasço, adoeço, envelheço e morro”, diz Valentini.

ILUMINAÇÃO
No budismo, o pós-morte não apresenta um local, não é visualizado e tampouco experimentado de forma consciente. O objetivo é permitir que o ser humano atinja a iluminação. Por isso, os parentes do falecido promovem um ritual de oferecimento de incenso chamado shoko, que, para Valentini, é a principal cerimônia fúnebre no budismo.

No budismo, o pós-morte não apresenta um local, não é
visualizado e tampouco experimentado de forma consciente, diz Valentini

RITO
Esse rito pode ser realizado no dia da morte, no sétimo dia, no 49ª dia ou no fim do primeiro ano. Os familiares utilizam dois potes (chamados chawan): um com incenso sendo queimado e o outro com incenso quebrado ou em pó. São feitos três oferecimentos que simbolizam o passado, o presente e o futuro do morto. Durante o processo, o incenso quebrado é depositado no pote daquele que está aceso.

O budismo Nitiren - seguido pela Soka Gakkai - prega que os adeptos acompanhem a sociedade em que vivem. Por isso, seus praticantes não seguem regras taxativas sobre a destinação final do corpo, de acordo com Valentini. “Hoje é aberto. Há famílias que cremam e outras que enterram.”

O budismo não cultua o luto. A família é orientada a seguir em frente, com sabedoria e esperança, pois a tristeza atinge energeticamente o falecido. “Se a família está feliz, ele vai reunir causas para nascer feliz.”

O budismo não cultua o luto. A família é orientada a seguir em frente

Texto: Rafaela Tavares
Fotos: Paulo Gonçalves - 13/10/2015
Edição: Sérgio Teixeira

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