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Após a morte, judeus esperam Messias para morada eterna em Israel

Antônio e Rafael de Moura (à frente) seguem o judaísmo

É na Torá, o livro sagrado dos judeus, que estão todos os ensinamentos a serem seguidos por seus membros. No caso do falecimento, a definição para a comunidade judaica está no capítulo do Eclesiástico, que diz: do pó veio, e ao pó vai voltar.

“A morte é uma coisa natural. É o momento em que o corpo vai descansar à espera do Messias”, explicou o carpinteiro Rafael de Moura Rocha, de 30 anos, um dos líderes da sinagoga em Araçatuba, na companhia do pai dele, o funcionário público Antônio Rocha, 61.

Questionado para onde vai a alma, Moura ressaltou que ela volta para Deus. “A alma morre quando você desliga”, explicou, ao completar que a tradição judaica não acredita na existência do céu ou do inferno.

“Todos que morrem ficam ‘dormindo’, esperando a vinda do Messias. Após seu surgimento, os corpos se levantarão e caminharão juntos para Israel, onde viverão para sempre”, disse Antônio, descendente de judeus e que segue a religião há dez anos.

É na Torá, o livro sagrado dos judeus, que estão todos os ensinamentos a serem seguidos

RESTRIÇÕES
É pela crença acima que o judaísmo não aceita que o corpo passe por autópsia, cremação e até mesmo tenha os órgãos doados. “Para tudo tem uma explicação. Por que os ossos não se decompõem assim como as outras partes do corpo? Por causa da ressurreição. Eles irão se recompor e vamos nos formar, novamente”, explicou Rafael.

Sobre a ressurreição, pai e filho explicam que ela ainda não aconteceu. “Para nós, virá um homem comum, o Messias, para comandar a Terra, e Deus é quem vai ressuscitar os mortos”, comentou Antônio.

KADDISH
Quando um judeu morre, seu corpo é lavado, colocado dentro de um caixão simples, de madeira e retangular. Em um curto espaço de tempo, é feito o kaddish, um ritual envolvido de orações para os enlutados, e não ao morto. “Ele não está sofrendo, foi ter o descanso. O consolo é para quem fica”, disse o carpinteiro.

Ao perder um ente querido, a família que segue as tradições judaicas tem sete dias de luto, sendo que, nesse período, considerado de “impureza”, não vai para a sinagoga. “Quando morre um pai de família, por exemplo, a comunidade se une para ajudar os membros com alimentos. Isso é o judaísmo, um depende do outro para viver”, disse Rafael.

Antônio Rocha, a esposa Aparecida e o filho Rafael: judaísmo não aceita que o corpo passe por autópsia

Texto: Monique Bueno
Fotos: Valdivo Pereira - 08/10/2015
Edição: Sérgio Teixeira

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