Reportagens

Túmulo público se esgota em Araçatuba

Até agosto, 125 gavetas rotativas foram construídas no Recanto de Paz, no bairro Rosele

Diferentemente de Sucupira, cidade fictícia no litoral baiano brasileiro que ganhou um cemitério, mas sequer um morto para ser sepultado, Araçatuba não possui mais espaço para a venda de túmulos em espaços públicos. No município da vida real, pelo menos um sepultamento é realizado por dia.

Se na narrativa escrita por Dias Gomes, que virou livro e minissérie, o prefeito Odorico Paraguaçu se elegeu com a promessa de construção de um cemitério, a proposta da Prefeitura de Araçatuba de abrir uma terceira unidade municipal gerou revolta por parte da população. O projeto começou a ser estudado há cerca de dez anos, mas não emplacou e, atualmente, está descartado.

A comercialização de túmulos deixou de ser feita há cerca de dois anos por falta de espaços disponíveis. Tanto o cemitério Saudades quanto o Recanto de Paz estão saturados, com um total de 22.779 mil sepulturas, sendo 7.847 e 14.932, respectivamente. O primeiro, na vila Estádio, foi fundado em 1930 e, com cerca de 40 anos, ficou lotado. Na sequência, foi construído o segundo cemitério, no bairro Rosele, por volta da década de 1970.

ALTERNATIVA
Como, por enquanto, não haverá a construção de um terceiro cemitério municipal, segundo a Prefeitura, o município adotou o sistema de gavetas rotativas, inspirado em outros locais no Estado. A Secretaria Municipal de Administração decidiu aplicá-lo no Recanto de Paz, único que ainda tem área disponível para construção destes espaços temporários.

Até o mês passado, 125 gavetas do gênero foram construídas. Parte delas está ocupada. Elas são feitas por uma empresa terceirizada e contratada por meio de licitação, sendo disponibilizadas gratuitamente para quem não tem área, porém, são cobradas taxas.

Comercialização de túmulos deixou de ser feita há cerca de dois anos por falta de espaços disponíveis

TEMPO
O cadáver pode ficar no local, no máximo, por três anos, período este que, geralmente, o corpo humano leva para se decompor e considerado como mínimo pelos órgãos ambientais. Durante este tempo, a família deve providenciar um espaço para onde os restos mortais serão levados - um túmulo particular ou público perpétuo, obtido anteriormente por meio de concessão. Fato é que, encerrado este prazo, o espaço dará lugar a um novo cadáver.

Os custos das taxas para esse processo são de: sepultamento (R$ 51,80), exumação futura (R$ 45,54) e recolocação no mesmo cemitério (R$ 45,54).

O serviço é realizado por sete coveiros, sendo seis homens e uma mulher. No local, trabalham ainda três agentes de serviços e um dirigente administrativo.

O sistema de gavetas temporárias garante, segundo o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Administração, José Cláudio Ferreira, que o Recanto de Paz seja suficiente para atender a demanda do município por muitos anos. A vida útil do local ainda não foi estimada pela Prefeitura.

Caso a família não tenha condições financeiras para providenciar um local permanente para destinar os restos mortais, eles são encaminhados para o ossário comunitário em forma de pirâmide, instalado no próprio Recanto de Paz. A administração municipal não soube estimar quantos já foram colocados neste depósito.

Sistema de gavetas temporárias garante, segundo Ferreira, que o Recanto de Paz possa atender por muitos anos

Texto: Amanda Lino
Fotos: Valdivo Pereira - 18/08/2015
Edição: Sérgio Teixeira

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