Reportagens

Metalúrgica de Bilac vende conjuntos de peças decorativas para cerimônias fúnebres

Empresa comercializa entre 60 a 80 conjuntos de paramentos para capelas de velórios a cada mês em todo o País

Exposto ao calor de 900°C da fundição, o alumínio assume um estado líquido. Ao ser despejado em formas, o metal derretido é preparado para assumir o corpo de peças decorativas para cerimônias fúnebres. Todo o processo acontece na rotina diária de um dos setores da Metalúrgica São Thiago, no centro de Bilac (a 24 km de Araçatuba). Trata-se de mais uma fábrica da indústria funerária do município.

De lá são vendidos entre 60 a 80 conjuntos de paramentos para capelas de velórios, a cada mês, distribuídos para agências funerárias de todos os Estados brasileiros. Cada jogo tem de cinco a 10 peças. Os conjuntos custam de R$ 990, no caso de modelos mais simples, a R$ 9,9 mil, quando a produção é voltada para ornamentos luxuosos que incluem detalhes em bronze, explica o gerente comercial da empresa Márcio Medeiros.

O ritmo mensal da fundição depende de encomendas. Como os produtos duram aproximadamente 20 anos, as funerárias com as quais a metalúrgica já fez negócios voltam a adquiri-los apenas quando ampliam o número de salas ou quando precisam substituir peças quebradas.

 VÍDEO MOSTRA POLIMENTO: 

A metalúrgica São Thiago, no Centro de Bilac, vende entre 60 a 80 conjuntos de paramentos para capelas de velórios, a cada mês, distribuídos para agências funerárias de todos os Estados brasileiros. Cada jogo tem de cinco a 10 peças.
Posted by Folha da Regiao on Segunda, 31 de agosto de 2015

DEMANDA MAIOR
As vendas continuam a crescer mesmo com a crise econômica, de acordo com Medeiros. O aumento da demanda até o início de agosto, em relação ao mesmo período do ano passado, chega a 10%. "Ainda não está como a gente gostaria, mas está melhor do que no ano passado. A dificuldade é o recebimento. Tem mais gente atrasando e culpando a economia do País".

O empresário Thiago Panini Stela, 31, um dos proprietários da metalúrgica, conta que o nordeste é o maior cliente. "Lá ainda é comum velar mortos na casa. As peças são sempre transportadas de um canto para outro, por isso, desgastam-se mais, e precisam ser renovadas".

Além de castiçais, porta-livros, porta-coroas, pedestais decorados entre outras peças para capelas, a metalúrgica confecciona carrinhos para exposição e transporte de caixões (média de 20 por mês) e placas para jazigos (até 30 peças mensais).

O design dos ornamentos mudam para atender diferentes cerimoniais. Há opções para agradar os católicos, com enfeites em formato de cruz e a imagem de Cristo, e bíblias de metal para velórios de protestantes.

 VEJA MAIS IMAGENS DA PRODUÇÃO: 

OPORTUNIDADE
Fundada em 1968, a empresa foi adquirida por Jair Stela em 1986. Na época, a produção era voltada para chavetas, panelas, peças para construção civil, moldes para calçados e até eventuais alças para urnas mortuárias. Só em 1992, o empresário passou a focar a produção de itens funerários.

O setor chamou a atenção de Jair quando o dono de uma funerária local pediu que a metalúrgica restaurasse seus ornamentos. Segundo o gerente comercial, a presença da fábrica de caixões também motivou a guinada. Os desenhos usados até hoje nas peças foram criados por Jair.

Desde 2010, a empresa familiar é administrada pela esposa de Jair, Rosemeire Trevisan Stela, 46, e seu filho Thiago. A mudança de direção ocorreu depois da morte de Jair, em maio daquele ano, vítima de câncer. "Caí de paraquedas na empresa, não conhecia nada de metalurgia e, de repente, tinha que entender de parafuso, da compra de metal", relembra a empresária.

Para ela, o apoio de operários que há décadas trabalham na fábrica foi fundamental, já que foi com consultas a eles que aprendeu detalhes sobre a produção. A empresa possui 14 funcionários atualmente, divididos entre vendas, fundição e montagem.

Rosemeire Trevisan Stela e Márcio Medeiros: empresa possui 14 funcionários

Texto: Rafaela Tavares
Fotos: Paulo Gonçalves - 20/08/2015
Edição: Aline Galcino

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