Reportagens

Empresa de Bilac produz até 8 mil caixões por mês

Grupo ocupa terreno de 68 mil metros quadrados e vende para 22 Estados e o distrito federal

Bilac (a 24 km de Araçatuba) possui uma peculiaridade que muitos visitantes não imaginam: a manufatura funerária tem uma participação significativa na economia do município com população estimada em 7,6 mil habitantes pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Três fábricas do setor empregam juntas, diretamente, 153 trabalhadores, o que representa 15,3% dos cerca de 1 mil homens e mulheres ocupados na indústria de transformação bilaquense, segundo o Censo 2010. Urnas mortuárias e ornamentos metálicos confeccionados no município estão presentes em salas de velório de quase todos os Estados brasileiros, enquanto suas velas iluminam o luto de quem se despede de pessoas queridas no noroeste paulista.

 VÍDEO MOSTRA ETAPAS DA CONFECÇÃO: 

Atuando desde a década 1970, o Grupo Bruschetta, em Bilac, tem uma produção mensal variável entre 7 e 8 mil caixões. A produção de um mês seria o suficiente para atender o número de pessoas que morrem em Araçatuba ao longo de cinco anos. Conforme dados do IBGE, a média anual de óbitos do município gira em torno de 1,3 mil.
Posted by Folha da Regiao on Segunda, 31 de agosto de 2015

O Grupo Bruschetta foi o primeiro a concentrar sua produção no setor funerário e hoje possui a maior planta do segmento de Bilac, ocupando um terreno de 68 mil metros quadrados, na entrada do município.

O fundador da empresa, Ariosto Bruschetta, trocou a fabricação de móveis estofados pela confecção de caixões, em 1974, quando seu negócio ainda estava instalado em um prédio pequeno no Centro da cidade. A primeira experiência na composição de urnas foi encomendada pelos próprios pais, na época donos de uma funerária, como relembra o filho de Ariosto e atual diretor do grupo, José Benedito Bruschetta. "Como deu certo, meu pai ofereceu nas redondezas até perceber que o mercado era melhor que o de sofás".

PRODUÇÃO
Atualmente, a fábrica do grupo tem uma produção mensal variável entre 7 e 8 mil urnas. A produção de um mês seria o suficiente para atender o número de pessoas que morrem em Araçatuba ao longo de cinco anos. Conforme dados do IBGE, a média anual de óbitos do município gira em torno de 1,3 mil.

O grupo vende caixões para 22 Estados e o distrito federal. As exceções são Acre, Amapá, Amazonas e Roraima. A expansão da empresa inclui uma filial em Russas (CE), aberta para melhorar a logística da comercialização no Nordeste. Lá são manufaturadas mensalmente mais 3 mil urnas, escoadas naquela região do País.


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SEM CRISE
Em termos de demanda, a produção não é afetada pelas dificuldades da economia nacional. "A população é crescente e ninguém deixa de morrer. Nesse aspecto não existe crise para nós", afirma José Benedito. O diretor ressalta que a diminuição da renda da população prejudica seus negócios porque o consumo se volta para produtos mais baratos.

Além disso, alguns concorrentes com problemas financeiros vendem a preços abaixo do normal. Como resposta, o grupo utiliza estratégias para manter as vendas, entre elas a criação de linhas com produtos mais em conta.

Atualmente com 51 anos de idade, o empresário José Benedito teve o primeiro contato com a fábrica aos 10

AMADURECIMENTO
O crescimento do grupo é paralelo ao amadurecimento de José Benedito como empresário. Atualmente com 51 anos de idade, ele teve o primeiro contato com a fábrica aos 10 anos, quando montava em cavalinhos de pau que criava com as sobras de madeira. "Não tinha medo, era normal como qualquer criança brincar no negócio da família. Conviver com uma empresa do ramo faz com que a gente enxergue a morte como algo inerente e tranquilo," disse.

Logo passou a trabalhar, primeiro como office-boy, depois em outros departamentos administrativos. Até que, em 1994, então com 30 anos, ele comprou as ações do pai e se tornou dono da empresa. Na época, a fábrica possuía dois caminhões e empregava 50 funcionários. Agora opera com 12 caminhões e 135 trabalhadores.

Hoje, a maior parte da produção é automatizada, o que inclui uma máquina italiana computadorizada que corta as peças no tamanho exato para serem montadas, cujo investimento foi de US$ 600 mil. O entalhe decorativo é feito 95% pela máquina e a maior parte dos produtos recebe pintura automática. "Em alguns casos, o funcionário só coloca a peça na máquina, o que é até mais seguro para ele".

José Benedito costuma dar uma pausa na rotina administrativa diariamente para acompanhar as etapas da produção - da chegada da madeira ao corte, lixamento, montagem, pintura, envernizamento, tapeçaria e embalagem. Três vezes por semana, a fábrica recebe carregamentos de 70 metros cúbicos de matéria-prima. O pínus - material de reflorestamento - chega do Paraná e Santa Catarina e é usado em 99% dos produtos. O restante é constituído por madeiras nobres como cerejeira e jequitibá, compradas do Pará e de Rondônia.

Entalhe decorativo é feito 95% por máquina e a maior parte dos produtos recebe pintura automática

Texto: Rafaela Tavares
Fotos: Alexandre Souza - 12/08/2015
Edição: Aline Galcino

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