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Conceito brasileiro de urnas é cultural

Cada região tem suas preferências, como acontece com os estilos de música, afirma Bruschetta

O proprietário do Grupo Bruschetta, José Benedito Bruschetta, de Bilac (a 24 km de Araçatuba) analisa as características típicas da produção de caixões brasileira como uma questão cultural. "Cada região tem suas preferências em relação às urnas, como acontece com os estilos de música ouvidos em cada lugar", diz.

No sul e sudeste, as funerárias adquirem peças mais altas e com cores claras. Por sua vez, no norte e nordeste há predominância de produtos menores, com cores mais escuras. Os motivos entalhados ou estampados nas tampas dos 52 modelos oferecidos pelo grupo são sempre religiosos, como pombas, imagens sacras e cruzes.

O empresário percebe também que o brasileiro não tem uma boa aceitação de estilos que fujam do tradicional. Cores que imitam madeira como imbuia, mogno e mel saem mais do que o branco, azul ou rosa. Há certo conservadorismo também em relação ao formato das urnas.

O conceito de caixão mais comum no Brasil e América Latina é inspirado no estilo europeu, sextavado ou de dez lados. É diferente do norte-americano, que é retangular. "Tentamos lançar o modelo de quatro lados, mas o brasileiro rejeita. Cultura é uma coisa difícil de mudar".

Funcionários trabalham na criação de caixão na empresa de Bilac

LINHA PET
Uma novidade do grupo que teve resposta positiva do mercado foi a criação da linha pet, iniciada a pedido de um amigo do empresário, quando seu cachorro de estimação faleceu. Depois disso, José Benedito conta que a firma fez uma pesquisa de mercado e constatou que havia campo para venda de urnas para cães e gatos.

A comercialização do produto foi um sucesso, com vendas em funerárias, petshops e clínicas veterinárias. A produção mensal subiu de 20 urnas para animais, quando o projeto foi iniciado há quatro anos, para 300, em 2015.

Conceito de caixão mais comum no Brasil e América Latina é inspirado no estilo europeu

Texto: Rafaela Tavares
Fotos: Alexandre Souza - 12/08/2015
Edição: Aline Galcino


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