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Policial militar sobrevive a 30 paradas cardíacas

"Primeiro vi um cavalo branco passando do meu lado e depois, Jesus. Eu perguntei quem era e ele disse
que era o amor. Que era para eu ser feliz", lembra Silva, sobre o período de coma dentro da UTI

"Por favor, coloca no texto que Jesus me salvou. Ele me disse para ser feliz", dizia a todo momento o policial militar aposentado, Sérgio Batista da Silva, de 51 anos. Sua história é daquelas de parar para refletir sobre a vida. Em um único dia, Silva teve 30 paradas cardíacas e conseguiu ser reanimado com desfibrilação - meio de restaurar o ritmo normal do coração por meio de choques elétricos. Também foram 30 dias internado, em coma, na Santa Casa de Araçatuba.

Tudo começou no dia 10 de setembro de 2014. Era para ser um dia normal na vida do PM que aguardava a aposentadoria, em dezembro do mesmo ano. No período da manhã, Silva e sua esposa, a dona de casa Jucineide Ferreira da Silva, 45, saíram para caminhar, voltaram para casa, no bairro Pinheiros, e tiraram a tarde para descansar. A maior parte da história é contada por Jucineide, pois Silva perdeu boa parte de sua memória depois de ter voltado do estado de inconsciência.

RONCO
"Naquele dia, o Sérgio foi deitar durante a tarde, o que não era muito comum. Eu estava na sala quando ouvi um ronco muito alto e feio. Quando me deparei com ele na cama, estava com a cabeça inchada e a língua enrolada. Foi o tempo de gritar meus filhos", lembra Jucineide. O casal tem dois filhos, um homem de 26 anos e uma mulher, de 22.

Enquanto a esposa pedia socorro aos vizinhos, o filho, que estuda biomedicina, fazia massagem cardíaca em Silva. Por conta de seu peso, 110 quilos na época, eles não conseguiam colocar o paciente no carro. "Um vizinho nos ajudou e chegamos no Hospital da Unimed em 13 minutos. Contamos também com ajuda de motociclistas que iam na frente do carro para abrir espaço no trânsito", disse a mulher.


Documento assinado por médica atesta problema enfrentado por Sérgio Batista da Silva
MORTO
Médicos que receberam o policial militar avisaram a família que ele havia chegado sem batimentos cardíacos, praticamente morto, e que só um milagre o salvaria. Como a família não tinha plano de saúde, após um dia e meio de internação na Unimed, Silva foi transferido para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa. "Tivemos que pagar R$ 15 mil por esse período no hospital particular, onde todos nos atenderam muito bem", agradeceu Jucineide.

Durante o período em que ficou em coma, na Santa Casa, a esposa frisou que era avisada pelos médicos sobre as poucas chances de vida do paciente, que apresentou infecção bacteriana, pneumonia, paralisação dos rins. Pediam à família para ter fé.

O caso mobilizou a corporação da Polícia Militar, segundo Jucineide. "Eles faziam grupos de oração e até hoje dão apoio ao Sérgio. Pessoas das igrejas da cidade, de várias religiões, também rezaram muito por ele", lembrou a dona de casa.

Médicos que receberam o policial militar avisaram a família que ele havia
chegado sem batimentos cardíacos, praticamente morto

INCONSCIÊNCIA
Até que, após um mês, o paciente acordou do coma, sem reconhecer ninguém. Ele contou à reportagem que em seu estado de inconsciência viu por várias vezes a imagem de Jesus Cristo, dentro da UTI. "Primeiro vi um cavalo branco passando do meu lado e depois, Jesus. Eu perguntei quem era e ele disse que era o amor. Que era para eu ser feliz", contou Silva, emocionado. "Em vários momentos também senti que tinha poderes, eu ficava voando e conseguia ver a Terra. Pulava de árvore em árvore."

Antes do episódio, Silva havia sido diagnosticado com colesterol alto, mas não procurava os médicos para se cuidar. Hoje, vive dependente de medicamentos para controle de arritmias e do colesterol, e emagreceu 30 quilos. O casal também está focado na alimentação saudável e frequenta a igreja católica todos os domingos. "Ainda não sabemos o que causou essas paradas cardíacas. O Sérgio precisa passar por exames mais detalhados", ressaltou a esposa.

BAHIA
Agora, passado quase um ano do susto, Silva quer viajar com a família. "Quero ir para a Bahia." Um outro sonho, o de voar de asa-delta, ainda está nos planos do policial militar aposentado. No fundo de sua casa, ele, que é palmeirense, admira uma águia que a esposa comprou e que voa quando acionada. "Ele tinha visto na casa de um amigo, antes das paradas cardíacas, e achou legal, por isso compramos na época. Mas ela é preta e branca e hoje ele não liga muito para ela não", riu Jucineide, que torce para o Corinthians.

A dona de casa também agradece, em nome de sua família, o apoio dado pelos profissionais da Santa Casa de Araçatuba, que, de acordo com ela, não mediram esforços para salvar a vida de seu marido.

Agora, passado quase um ano do susto, Silva quer viajar com a família.
"Quero ir para a Bahia." Um outro sonho, o de voar de asa-delta"

Texto: Monique Bueno
Fotos: Alexandre Souza - 06/08/2015
Edição: Aline Galcino

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