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Ciência: o apagar das células cerebrais

Para Rizzolo, as ferramentas científicas atualmente disponíveis ainda não permitem saber se existe o “outro lado”
O cérebro tem 85 bilhões de células e cada uma delas consegue se conectar a outras 15 mil. Dentro dessa matemática, é possível dizer que há trilhões de conexões. Mesmo diante desse número espantoso, a ciência ainda não conseguiu explicar como esse órgão produz a consciência, os pensamentos e compreende os mistérios que envolvem a vida e a morte.

“Por causa de termos o cérebro que temos, somos a única espécie que pensa sobre a morte e isso é um peso terrível para a humanidade. Tentar entender o sentido da vida, a razão de estarmos aqui”, disse o professor Roelf Cruz Rizzolo, pesquisador na área de neurociência da faculdade de odontologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), de Araçatuba. Para ele, o cérebro é a estrutura mais complexa do universo.

A LUZ
Apesar das perguntas ainda sem respostas, essa carência não impediu a ciência de explicar as chamadas experiências de “quase morte”, em que pessoas que passaram por ela afirmam cair dentro de um túnel e ver uma luz branca no final. Rizzolo define que esses acontecimentos podem ser justificados pelo processo de privação de oxigênio no cérebro. Ou seja, haveria uma explicação natural para esses eventos.

“O importante quando falamos de experiências de ‘quase morte’ é prestar atenção na palavra ‘quase’, pois ninguém morre duas vezes. Nenhuma dessas pessoas morreu. O que acontece é que ela tem uma queda muito forte do metabolismo e da atividade elétrica do cérebro e vai apagando, perdendo a consciência, desestruturando as redes neurais. Isso acontece com aquelas que entram e voltam do coma, por exemplo”, explicou o profissional.

"O importante quando falamos de experiências de quase morte é prestar
atenção na palavra ‘quase’, pois ninguém morre duas vezes"
O ESPÍRITO
Há relatos de pacientes que disseram sentir o espírito, a consciência, se afastando do corpo, quando se encontram nesse processo de privação de oxigênio no cérebro. De acordo com Rizzolo, mesmo sendo o cérebro um órgão ainda cheio de mistérios, essas experiências de “quase morte” não são assim tão misteriosas. A luz branca no final do túnel, por exemplo, é vista porque a retina também perde oxigenação e começa a concentrar o foco luminoso em sua parte central.

Questionado sobre quais são as reações das pessoas que viveram isso, o professor disse que muitas tentam buscar uma explicação sobrenatural e mística que interaja com seu próprio sistema de crenças, fundamentalmente, religiosas. “As ferramentas científicas não te permitem saber se existe o outro lado. O que nos mostram é que mente e consciência precisam de um cérebro para existir, e quando este morre, de fato, elas desaparecem”, afirmou.

Diante disso, é possível afirmar, segundo Rizzolo, que é o cérebro responsável por anunciar o óbito, ação conhecida como morte encefálica, no campo da medicina. Enquanto houver funcionamento das células cerebrais nas suas estruturas mais profundas, ainda há vida e, dependendo da extensão dos danos, esperança de recuperação.

"As ferramentas científicas não te permitem saber se existe o outro lado. O que nos mostram é que mente
e consciência precisam de um cérebro para existir, e quando este morre, de fato, elas desaparecem"

Texto: Monique Bueno
Fotos: Paulo Gonçalves - 28/07/2015
Edição: Sérgio Teixeira

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